“Todo escritor tem 10.000 páginas de porcaria, e o único jeito
de tornar seu texto bom é trabalhar duro para chegar à 10.001ª.”

Brian K. Vaughan (Fonte: www.comicvine.com)
Com dois Prêmios Eisner, uma homenagem de “grande inovador” dada pela revista Wired, o convite para escrever o seriado de maior sucesso no planeta, uma graphic novel marco na história dos quadrinhos e uma legião de fãs, Brian K. Vaughan certamente tem que ser ouvido quando dá uma recomendação como a citada, publicada em seu blog.
E qual foi a 10.001ª página de Vaughan? A proposta de Y – O Último Homem, série que a Vertigo começou a publicar em 2002. Mesmo que seu trabalho anterior tivesse pontos altos, Y foi a virada de sua carreira.
O escritor, nascido em 1976 em Cleveland, Ohio — uma das cidades mais férteis dos EUA em termos de quadrinhistas, lar dos pais de Superman, de Robert Crumb e Harvey Pekar, entre outros —, entrou nos quadrinhos a partir do Stan-Hattan Project, oficina promovida pela Marvel Comics com a New York University, visando encontrar novos escritores. Joe Kelly, Ben Raab e Vaughan, estudante de cinema, saíram contratados pela editora.
Seus primeiros anos na Marvel foram os de um legítimo “tapa-buraco”: substituir escritores atrasados, reescrever diálogos, pegar os trabalhos que ninguém mais queria. Mas sua carreira só decolou após ele largar o emprego, dedicar-se à conclusão da universidade e voltar com tudo para o mercado de quadrinhos. Criou uma nova série do Monstro do Pântano para a Vertigo, focada na filha adolescente do personagem, escreveu edições interessantes de Batman, algumas minisséries para a linha X-Men, bem como a série da personagem Mística, e criou um novo personagem para a linha Marvel Max, o Capuz.
Entretanto, ainda faltava algo ao jovem escritor. Era a série Fugitivos, criação para a Casa das Ideias, cuja primeira edição tinha uma sacada que deixou os fãs em polvorosa. Poucos meses depois, Y – O Último Homem, na Vertigo, começava com um roteiro primoroso para uma ideia de filme B: o que aconteceria se todos os homens da Terra (com exceção de um, é claro) morressem?
Dois anos depois, a última página de Ex Machina 1, série que criou para a DC/Wildstorm, novamente agitou o mercado. Quando do lançamento da elogiadíssima Os Leões de Bagdá — graphic novel que analisa a Guerra do Iraque por meio de uma fábula com animais falantes —, o homem já era considerado mestre, com trabalhos tão comentados e esperados quanto os de um Neil Gaiman ou Grant Morrison.
O autor está hoje naquela fina camada de criadores invejados não só pelos colegas de quadrinhos, mas pelos de outras mídias também. Enquanto estava envolvido com os roteiros para as adaptações cinematográficas de Y – O Último Homem e Ex Machina, Vaughan foi convidado para juntar-se à equipe de roteiristas do seriado-fenômeno Lost. Participou da quarta e da quinta temporada, escrevendo alguns dos episódios preferidos dos fãs, antes de deixar o cargo para voos mais altos — ainda não revelados, mas provavelmente em Hollywood.
Vaughan já ameaçou deixar as HQs devido à quantidade de ofertas que recebe no cinema e na TV, mas não dá sinais de desistência. Ele concluiu Y – O Último Homem em janeiro de 2008, e agora trabalha no final de Ex Machina, prevista para ir até 2010 ou 2011. Mas, vez por outra, pega algum trabalho extra, como uma participação na série de Buffy – A Caça-Vampiros. Os fãs têm mais é que torcer para que os quadrinhos não percam este grande nome.















