Constantine, no cinema e nos quadrinhos


Postado por Redação Vertigo em 4 de dezembro de 2009.
Este texto faz parte das seções Hellblazer, Séries, Vertigo.

John Constantine nos quadrinhos (Clique para ampliar)

John Constantine nos quadrinhos (Clique para ampliar)

Quando Alan Moore criou John Constantine para contracenar com o Monstro do Pântano, não tinha como imaginar que, quase vinte anos depois, sua criação iria parar no cinema. Menos ainda da maneira como a adaptação aconteceu.
Moore idealizou Constantine como um mago ocultista que teria a aparência de um roqueiro de sucesso. Como o personagem foi publicado na metade final dos anos 80, seu inspirador foi Sting, líder do The Police. Portanto, tal qual o cantor, o Constantine dos quadrinhos é loiro e com uma aparência rebelde.

Diante disso, o casting do filme de 2005 foi, no mínimo, infeliz ao selecionar Keanu Reeves para o papel. Reeves tem ascendência oriental, e dessa maneira, cabelo escuro e escorrido. Além disso, não é conhecido por grandes atuações — bem pelo contrário. Seu Constantine ficou morno, inexpressivo, sem a força e a presença do personagem dos quadrinhos.

E essa não foi a única derrapada da produção. Para fazer o roteiro do filme, os produtores se inspiraram em sagas da revista Hellblazer, da linha Vertigo, estrelada por Constantine, notadamente aquelas escritas por Garth Ennis e Jamie Delano. Tanto eles quanto Moore, e o próprio John Constantine, são britânicos. E não poderia ser diferente, já que histórias de ocultismo e magia fazem parte da cultura britânica: basta ver exemplos das crônicas do Rei Artur, com seu Mago Merlin, Sandman ou mesmo Harry Potter. Entretanto, os executivos de Hollywood só aceitariam fazê-lo se o protagonista fosse estadunidense e nascido em Los Angeles.

Como bom americano, o John Constantine do filme não gosta muito da linha de ação da sua contraparte dos gibis, dado a magias, conversas, negociações e trapaças. Quando encontra com um demônio na telona, ele prefere mandar bala com uma espécie de cruz calibre 12, que dispara balas “sagradas”. Praticamente um cowboy dos infernos.

Não foi só o protagonista que ficou descaracterizado no longa. As duas sagas que o inspiraram, Pecados Originais (escrita por Jamie Delano) e Hábitos Perigosos (escrita por Garth Ennis) foram condensadas em uma só história, com diversos elementos novos. O resultado foi que o roteiro do filme perdeu o que  tinha de melhor no enredo das duas HQs, como o pacto que Constantine faz com os demônios para se salvar do câncer de pulmão, que foi suprimido.

Jaime Delano, em especial, tem muito do que se queixar do filme. Chas, personagem de sua autoria, é o melhor amigo de Constantine nas HQs, desde quando ambos foram colegas de quarto no o início dos anos 70. Taxista, ele ajuda o amigo quando é necessário. Delano, que era taxista antes de começar a escrever as HQs de Hellblazer (por indicação de Alan Moore), criou Chas inspirado em si mesmo.

Francis <em>"Chas"</em> Chandler

Francis "Chas" Chandler

No filme, Chas se tornou um sidekick, um parceiro mirim, como Robin. Ele ainda é um taxista com conhecimentos do sobrenatural, mas assume um papel de aprendiz, o que destoa da postura de Constantine, que mesmo no filme não parece ser alguém que pretenda ensinar a outra pessoa o que sabe. Para completar, o Francis “Chas” Chandler dos quadrinhos virou Chas Kramer no cinema, sem nenhum motivo aparente.

Mesmo assim, Chas foi um dos poucos personagens originais lembrados no filme. Outro que esteve presente foi Papa Midnight, embora com uma tradução mais fiel aos quadrinhos, mostrado como um ocultista que prefere ser neutro diante dos problemas envolvendo demônios e magos. Há ainda o padre Hennessy, uma mistura de várias figuras das HQs, amigos de Constantine, psíquicos, padres e viciados, que quase sempre terminam mortos por seu envolvimento com o mago.

No geral, o filme pegou as ideias das HQs e transformou em algo novo, com uma qualidade inferior. Se quiser ver boas histórias de John Constantine, o melhor mesmo é lê-las em Hellblazer.

Por Guilherme Kroll.

Constantine, o filme (Clique para ampliar)

Constantine, o filme (Clique para ampliar)


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6 comentários para
“Constantine, no cinema e nos quadrinhos”

  1. Adauto Ribeiro disse:

    O filme Constantine, muito provavelmente, não agradou os leitores de Hellblazer. Na época em que foi lançado, Mike Carey, o escritor das estórias atualmente publicadas no Brasil, ainda estava dando continuidade às suas idéias, no título mensal. Desde o início, deixou claro seus objetivos em prol de retornar John Constantine às suas origens. O personagem havia passado uma “temporada” na América, aos cuidados do escritor americano: Brian Azzarello. Mike Carey que é inglês, tratou Hellblazer de forma clássica, demonstrando atenção especial com as premissas estabelecidas e desenvolvidas por escritores anteriores, como Jamie Delano. Logo na primeira parte de seu arco inicial (publicada no Brasil pela Panini, em Vertigo #1), John Constantine volta à Londres e sua pequena família é reapresentada, com maior importância e detalhe. Ficam nítidos muitos elementos tradicionais: a familiaridade do personagem com a capital inglesa, o conhecimento sobre ocultismo e os conflitos familiares, provocados por sua longa relação com o sobrenatural. Antigas associações de John Constantine com grupos obscuros, dedicados à magia, também contribuíram para restabelecer o personagem no “velho mundo”. Enfim, sua “viagem de férias” pelos Estados Unidos já estava no passado, quando a adaptação para o cinema trouxe este “John Constantine nascido em Los Angeles”, com ares de “Duro de Matar”. Fica fácil entender os motivos pelos quais Jamie Delano não apreciou a versão cinematográfica. Para muitos daqueles que acompanham Hellblazer, a cidade de Londres é quase um “personagem coadjuvante”: seus bairros, ruas, becos, pubs e bandas de rock trazem vida e constituem uma parte fundamental do enredo de Hellblazer. Até onde pude acompanhar, o Chas “dos quadrinhos”, é uma pessoa simples, mais velha e temerosa. Não possui conhecimento ou curiosidades sobre magia negra. Apesar das afinidades com John Constantine, em alguns momentos, Chas ou sua família estiveram ameaçados por demônios e vinganças que cruzaram o caminho do personagem principal. Antes de ver o filme, li a adaptação para quadrinhos, escrita por Steven T. Seagle (conhecido por outras contribuições na Vertigo). Percebi, de imediato, o quanto havia ficado distante do original e não fui ao cinema. Sou muito interessado pelo personagem e, tempos depois, assisti ao filme em DVD. Trata-se de bom entretenimento, com atores que mais tarde foram muitíssimo elogiados e premiados por outros trabalhos no cinema. Ainda assim, como fã de longa data, lamentei muito que não tenha havido respeito e disposição dos envolvidos para trazer às telas um John Constantine fiel aos quadrinhos já consagrados. Infelizmente, isto não foi um privilégio de Hellblazer. Inúmeros personagens de sucesso, e até mais populares que Constantine, já receberam fracas adaptações, sem nenhuma coerência com seu registro anterior em quadrinhos. Difícil mesmo é entender porque tanto material de qualidade superior, já consagrado pelos fãs, é deixado de lado e substituído por versões inferiores ao custo de milhões de dólares.

  2. Ola
    Olha eu da minha parte gostei muito da adaptação de Constantine. Ta certo que existe as mudanças bruscas e que Revees não é estas coisas isso eu concordo, mas da minha parte gostei muito e o filme tem ares de Cult

  3. Cledston de Santana disse:

    Sou fã de cinema e de quadrinhos, na mesma proporção. O filme tem problemas de adaptação e distoa dos quadrinhos de uma maneira irritante, como muita coisa que os norte-americanos botam a mão. O potencial do Constantine original é enorme e faz parecer o do filme um moleque com um monte de parafernálias para brincar.
    Ms enquanto filme, até que finciona de maneira adequada. Claro que para alguem que nao conhece o personagem dos quadrinhos. Fica aqui a torcida para que algum “santo” ponha a mão em um futuro projeto e faça a coisa da menira correta. Melhor que nao seja santo, que seja um demônio.
    ABRAÇOS!!!!

  4. Allan Chaves disse:

    Coincidentemente há poucos dias tive a oportunidade de rever o filme Constatine em Blu-Ray. E apesar de ainda não ter lido muitas hqs de Constantine, posso pelo menos fazer algumas afirmações do filme em si.

    Primeiramente quanto as críticas que ele sofre, é aquela mesma questão de sempre, quando surge uma adaptação para o cinema, os fãs de quadrinhos encontram dezenas de defeitos, principalmente porque o filme não ficou “idêntico” a obra que deu origem. Já vi críticas a adaptação de X-Men, Superman, Watchmen, Constatine, etc…

    Eu particularmente sou bem flexível nos meus critérios de avaliação quando vou ver um filme adaptado. A começar porque o filme é uma mídia totalmente diferente dos quadrinhos, e sendo assim, tem toda um conjunto de características que devem ser priorizadas na hora de se fazer um filme. Portanto modificações são necessárias.

    Além disso existem necessidades mercadológicas que influenciam a produção de um filme, e de uma hq. A diferença é que filme é um investimento centenas de milhares de vezes mais alto do que uma hq. Portanto é uma produção onde, por razões óbvias, arrisca-se menos. Nesse sentido, é compreensível a mudança de cidade de John Constantine para Los Angeles. E para mim não houve prejuízo, uma vez que não se explora os pontos turísticos da cidade (como poderia acontecer, ai que medo!), e sim ambientes soturnos e misteriosos. Inclusive a cena em que Constantine ajuda alguns imigrantes é genial, e faz muito mais sentido nos EUA.

    Quanto aos cabelos, isso tem importância? Depois dessa serei crucificado : ) !

    Keanu Reeves já foi chamado de o ator “mais inespressivo” de hollywood. Porém para mim isso combinou à perfeição com a atitude blasé de Constatine.

    Agora as caracterizações de Gabriel, e de Lúcifer… São MUITO melhores do que as das Hqs. Se eu fosse autor, trocaria a maneira como esses personagens são tradicionalmente representados, por essa.

    Quanto a Chas, embora seja um aprendiz, não tem nada de um sidekick tradicional, uma vez que seu “tutor” não está nem aí para ele.

    Enfim é isso, podem dizer que o filme não funciona muito bem como adaptação (o que discordo), mas é por si só um ótimo filme. E como diria humildemente Zack Snider, quando dirigiu Watchmem: “Se não gostarem do filme, vejam ele como uma longa propaganda da hq”.

    CURIOSIDADE: Vejam a cena secreta pós-creditos e tenham uma surpresa beeem interessante sobre Chass. (eu vi em blu-ray, e não sei se ela está presente no dvd).

  5. Bruno disse:

    Em poucas palavras, acho que o filme entretém bem, diverte, e será esquecido entre tantas outras aventuras.
    Já o Constantine dos quadrinhos vai ficar conosco ainda um bom tempo, sendo procurado nas revistas, não apenas pela periodicidade da HQ, mas porque é bom mesmo.
    Pena não terem aproveitado mais o personagem no cinema. Perderam uma grande chance…

  6. Lexy Soares disse:

    Uma coisa que comentei com uma amiga, também fã do Hellblazer: “Ainda bem que o Keanu Reeves não pintou o cabelo, assim, ficou mais fácil esquecer do gibi pra assistir o filme”. Um filme até razoável, mas adptação da hq? Mas nem no Inferno!

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