
Tony Harris (Fonte: www.comicbookdb.com)
Nos desenhos de Tony Harris, o mundo é feito de luz e sombras. São poucas as linhas, as hachuras, os detalhamentos. Ou existe reflexo ou formas tragadas pela escuridão. É assim também que ele, provavelmente, vê o mundo.
Essa visão não surgiu na escola de artes. Assim que acabou o ensino médio, no final dos anos 1980, ele mudou-se para uma cidade grande — Atenas, estado da Georgia —, para tentar a carreira de ilustrador comercial. Mercado complicado se você não tem os contatos de quem passou anos na faculdade de design ou artes. Sua salvação veio dos quadrinhos.
Ele começou a publicar com pequenas editoras como Buccaneer e Innovation — nesta, assinou uma adaptação do clássico trash A Hora do Pesadelo — no início da década de 1990. A partir dali, foi convidado a fazer alguns trabalhos para a DC, como capas e arte-finalização. Em paralelo, desenvolvia ilustrações para clientes como a editora Whitewolf, do RPG Lobisomem: O Apocalipse.
Seu nome só começou a brilhar em 1994, quando foi convidado a ser o desenhista oficial da série Starman, o relançamento de um herói da DC dos anos 1940. Ao lado do roteirista James Robinson, Harris construiu uma das séries de super-heróis mais respeitada daquela última década do século 20. Seu estilo não só deu vida e identidade ao herói Jack Knight, mas também à arquitetura art déco da cidade de Opal, “personagem” também muito importante na revista. Isso revelou o talento do autor em desenhar cenários, especialmente cidades grandes.
Harris foi desenhista da série por quatro anos e meio (durante os quais ganhou um Eisner Award), e depois disso continuou como capista até sua conclusão. Não resistiu aos convites, que começaram a chover, para trabalhar com Homem de Ferro, Dr. Estranho, minisséries da Sociedade da Justiça, nem a desenvolver projetos pessoais como Lazarus 5 e Obergeist.
Foi só dez anos depois de começar Starman que Harris topou assumir uma nova série regular. Exatamente em Ex Machina, ao lado de um escritor talentoso que despontava, Brian K. Vaughan. Em uma história calcada no realismo, os desenhos de Harris — agora baseados em fotos, com modelos que o próprio artista recruta — ajudaram a criar o clima da prefeitura de Nova York e seu primeiro prefeito super-herói. E, além disso, lhe rendeu um novo Eisner.
Harris ainda envolve-se em outros projetos de tempos em tempos, como a minissérie War Heroes, com o roteirista-estrela Mark Millar, mas fez questão de desenhar todas as edições de Ex Machina. No seu país de origem, a série encaminha-se para o final, e ele trabalha meticulosamente nas últimas páginas apenas para engrandecer o que já é um marco na sua carreira.
O artista trabalha com os colegas Tom Feister e JD Mettler — respectivamente arte-finalista e colorista de Ex Machina — no Jolly Roger Studio, o escritório de ilustração e animação na cidade de Macon, Geórgia. Harris tem dois filhos e pode ser encontrado em www.jollyrogerstudio.com.











